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Aceleração, ritmo e respiração.

  • Foto do escritor: Eduarda Santos
    Eduarda Santos
  • 2 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 27 de jan. de 2024


Em uma manhã ensolarada, percebi as ruas particularmente mais amareladas. As pessoas usavam laços em suas roupas, os prédios possuíam faixas em um tom mostarda e panfletos eram distribuídos nas avenidas. O amarelo brilhava como uma chama de esperança, trazendo à tona a importância de falar sobre a saúde mental sem tabus ou preconceitos.

Distraída com as minhas próprias questões, esbarrei em um jovem que com muita simpatia se desculpou, e seguiu. Ele me lembrou um personagem do filme que assistia quando criança. Alto, alegre, exalava confiança. Carregava consigo livros e uma quentinha, provavelmente estava atrasado pela forma como seguiu apressadamente para seu destino.

O encontro com aquele jovem me trouxe de volta o cenário ao meu redor, então ouvi as buzinas, uma criança chorar, um carro frear contra gosto em uma faixa de pedestre para uma senhora cruzar a avenida. Parecia um grande caos, todos corriam para algum lugar e eu, também estava atrasada.


Mais tarde naquele dia, saí com alguns amigos após o trabalho e em uma mesa distante do restaurante, notei alguém que para mim seria familiar. Com um sorriso o cumprimentei. Se tratava do jovem com quem havia esbarrado, mas agora ele já não me passava a mesma sensação. Me sorriu de volta, mas não parecia feliz. Aquele encontro poderia ter sido só mais uma coincidência da vida, então apenas retornei o olhar e atenção a minha mesa.

Alguns dias se passaram, e fui convidada a cobrir um evento referente ao setembro amarelo. Aconteceria na universidade e precisavam de registros fotográficos. Todos estavam inquietos com um jovem que havia passado mal durante uma aula. O ar parecia não chegar aos seus pulmões, tinha passado todo o mês correndo de um lado para o outro na tentativa de dar conta de tudo, mas naquele dia chegou ao limite.

Me espantou reconhecer o jovem que esbarrei na rua na foto que mostravam . Percebi que ele sorria para o mundo externo, mas por dentro enfrentava uma tempestade de emoções que o afastava cada vez mais da alegria. Torci para ter a oportunidade de mais um encontro em alguma rua.

Na fila da cafeteria que frequentava quando não conseguia me alimentar bem pela correria, o vi de longe. Dessa vez, fui até a mesa e disse: "Ufa! Estou sempre correndo de um lado para outro! Como é cansativo!". Aquilo foi suficiente para o jovem desabar e revelar suas angústias. Ele temia o julgamento dos outros e acreditava ser fraco por não dar conta de tudo e às vezes precisar desacelerar. Eu o escutei com compreensão, lembrando-o de que buscar ajuda não era sinal de fraqueza, mas sim de coragem e determinação para enfrentar seus desafios internos.


Você agora pode imaginar que fiz bem aquele jovem ao sentar e oferecer um chá, mas aqueles minutos de conversa me resgataram da busca incessante por mais. Respirei aliviada ao perceber que compartilhávamos do sentimento de aceleração constante. Naquele setembro, nos comprometemos em respirar profundamente ao menos 3 vezes ao dia, e não ser gentil e atencioso apenas com o outro, mas também conosco. Seria nos amando que amaríamos ao próximo.



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